Em Jesus, No Mundo

João 17:14-18

(Oração intercessória de Jesus) 14. Eu lhes dei a tua palavra; o mundo os odiou, pois não são do mundo, assim como eu também não sou. 15. Não rogo para que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16. Eles não são do mundo, assim como eu também não sou. 17. Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade. 18. Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo.

O Senhor quer que vivamos longe do pecado, porém perto dos pecadores; Ele quer que sejamos santos, porém em comunhão.

Esta passagem nos revela algo muito importante da parte de Deus: a santidade não é exclusão, mas, como dito em alguns versículos antes, a presença de Deus (Jo 17:3). A santidade é muito maior do que apenas viver em algum lugar, mas tem poder suficiente para fazer dentro dos santos uma morada para o próprio Deus. Portanto, é inconveniente e até mesmo desrespeitoso ao Senhor quando limitamos a obra do Espírito Santo, não crendo que Ele possa agir em nós, dentro de nós, mesmo em meio a pecadores. Como exemplo disso temos o próprio Jesus, que andava em meio a pecadores, imundos, endemoninhados, porém a sua verdadeira essência, santidade e vida estavam dentro de si: Ele era habitado pelo Espírito Santo, e não se corrompeu, pois sua santidade não baseava-se no lugar onde Ele estava.

A verdadeira vontade de Deus para a nossa vida é que, no mundo espiritual, sejamos retirados, mas que, no mundo terrestre, sejamos íntegros, influentes e sociais. Como disse Jesus, Ele quer que permaneçamos no mundo, pois tem uma obra a ser feita neste mundo através das nossas vidas. Inclusive, a santidade é algo nada individual e egoísta, mas um dos principais motivos para o qual Deus nos santificou aqui na Terra é para que possamos compartilhar essa santa presença com aqueles que ainda não a tem. Nós, os santos, devemos entender que somos os detentores da verdade, da solução para os doentes deste mundo (Mt 5:13-16).

Para entendermos melhor a nossa posição, a nossa condição neste mundo, podemos tomar como exemplo exatamente o mesmo exemplo usado por Jesus no sermão do monte (Mt 5:14-16): a relação entre a luz e a escuridão. Ao observarmos uma lamparina, podemos notar um instrumento totalmente projetado para iluminar, para dar luz, de modo que, se esse instrumento estiver sem a sua luz, está descumprindo o seu papel principal, o seu propósito, se torna algo inútil e morto, pois está sem a sua essência em seu interior, e é exatamente isso que faz dela uma lamparina de fato. Porém, o foco principal está no poder dessa luz, no poder da essência que uma lamparina com luz carrega; se olharmos atentamente para a relação espontânea entre a luz e a escuridão, notamos algo naturalmente indiscutível é irrefutável: a escuridão jamais pode se propagar na luz, mas, havendo até mesmo um pequenino ponto de luz numa sala escura, essa escuridão já é vencida. Jamais vimos, nem nunca veremos uma pessoa chegar em um lugar iluminado com uma lamparina apagada e escurecer este ambiente; é impossível! A supremacia da luz sobre a escuridão é indiscutível e óbvia. Assim também são os santos do Senhor: Verdadeiros seres humanos portadores da essência que os faz transmitir luz para um mundo em escuridão; incapazes de serem ofuscados pela escuridão deste mundo, mas apenas vencê-la, e é exatamente por isso que o Senhor quer que permaneçamos neste mundo, pois não importa onde estiver, a luz sempre vencerá.

O que faz um estrangeiro ser de fato um estrangeiro é o seu estranho jeito de agir e de ser, sendo um antiquado no lugar onde vive, não se adequando às culturas e estilo de vida deste lugar, mesmo que não seja no lugar de sua essência. Um estrangeiro só é estrangeiro enquanto vive perto de sua essência, mesmo que também perto de outras; mantém-se forte em sua cultura, sem se deixar ser influenciado. Para um estrangeiro, viver em meio a outras culturas não fere a sua essência estranha. Que sejamos, portanto, estrangeiros que espalham a sua essência, a sua cultura pelo mundo estranho e perdido em que vivemos.

Que não esperemos, então, que o mundo convirja para não nos fazer mal, que o mundo se adapte a nós para que nos machuque; mas que tenhamos sempre em mente que somos nós mesmos que devemos ir de contrapartida a este mundo, esperando sim que sejamos atingidos muitas vezes, porém sempre aprendendo a como habituar nossa estranha essência a este mundo, encontrando sempre uma forma de encaixá-la no mundo, para que, assim, possa gerar cada vez mais estrangeiros. Pois o mundo não nos quer, mas nós queremos e amamos o mundo.

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